
Toda impressão que dá errado tem uma causa identificável. A boa notícia: os problemas se repetem, e quase todos têm solução simples. Aqui estão os 8 defeitos mais comuns em FDM, com o que fazer em cada caso.
É o erro mais frequente. A peça se solta ou o filamento vira um emaranhado logo no início.
Causas e soluções: mesa desnivelada ou Z-offset muito alto — refaça o nivelamento e aproxime o bico até a linha esmagar levemente na mesa. Mesa suja de gordura — limpe com álcool isopropílico. Temperatura baixa — suba a mesa para 60°C (PLA) ou 80°C (PETG) e o bico +5°C na primeira camada. Reduza a velocidade da primeira camada para 20 mm/s.

As bordas da peça descolam e levantam, formando aquele "sorriso" nas quinas. Típico de ABS, mas acontece em PLA em peças grandes.
Soluções: aumente a temperatura da mesa, elimine correntes de ar (feche janelas, use enclosure para ABS), adicione um brim de 5 a 8 mm ao redor da peça e use cola bastão ou laquê na mesa para reforçar a aderência. Reduzir o cooling nas primeiras camadas também ajuda.

Fios finos de plástico ligando partes da peça, como teia de aranha.
Soluções: o culpado quase sempre é a retração mal ajustada. Em Bowden, teste 4 a 6 mm de retração; em direct drive, 0,5 a 1,5 mm. Ative o combing e reduza a temperatura do bico em 5 a 10°C — plástico quente demais escorre. Se o filamento estiver úmido, seque-o: umidade é uma das maiores causas de stringing, sobretudo no PETG.
O extrusor "clica" para trás e para de sair plástico no meio da impressão.
Soluções: faça um cold pull (atomic pull) — aqueça, empurre filamento, esfrie a ~90°C e puxe para arrancar a sujeira. Verifique se a temperatura está adequada ao material. Bicos entopem com poeira e resíduos carbonizados; troque o bico (custa poucos reais) se o cold pull não resolver. Filamento de baixa qualidade com diâmetro irregular também causa clogs.
Paredes com buracos, camadas que não se juntam, superfície falhada.
Soluções: verifique o flow rate (comece em 100% e calibre). Bico parcialmente entupido, temperatura baixa demais ou tensão errada no parafuso do extrusor são causas comuns. Confira também se a engrenagem do extrusor não está desgastada ou entupida de pó de filamento.
Paredes gordas, cantos com bolhas, topo rugoso e dimensões maiores que o modelo.
Soluções: reduza o flow rate em passos de 2 a 3%. Calibre os passos do extrusor (e-steps) e confira o diâmetro real do filamento no fatiador (meça com paquímetro; muitos filamentos são 1,73 mm, não 1,75).
A peça "escorrega" no meio da impressão e as camadas superiores saem desalinhadas.
Soluções: correias frouxas — aperte os tensionadores dos eixos X e Y. Velocidade ou aceleração altas demais fazem o motor perder passos; reduza. Verifique se os parafusos das polias (grub screws) estão firmes e se nada está travando o movimento do carro.
A primeira camada fica mais larga que o resto, com a base "esparramada".
Soluções: o bico está baixo demais ou a mesa muito quente. Suba levemente o Z-offset, reduza a temperatura da mesa em 5°C e ative a compensação de elephant's foot no fatiador (muitos slicers têm essa opção, geralmente 0,1 a 0,2 mm de chanfro).
Mude uma variável por vez e imprima um teste pequeno (um cubo de calibração ou torre de temperatura resolve em minutos). Anote o que mudou. A pressa de alterar cinco coisas de uma vez é o que impede a maioria das pessoas de descobrir a real causa. Com paciência e testes isolados, praticamente todo defeito de FDM tem conserto.
O diagnóstico te leva do sintoma à causa em algumas perguntas — e diz o que ajustar.