Existe um momento previsível na vida de quem vende impressão 3D: o mês fecha com bastante venda, o cliente elogiou, a máquina rodou o tempo todo — e a conta bancária não mexeu. Quando isso acontece, quase sempre o problema não é o preço. É que o controle de custos nunca existiu, e coisas que custavam dinheiro estavam saindo da conta sem aparecer.
Este guia é a lista do que precisa ser medido, e por que cada item some.
Quase todo mundo conta o filamento. Poucos contam direito.
O erro mais comum é usar o preço do carretel em vez do preço do grama efetivamente entregue. Entre o carretel e a peça na mão do cliente somem: o suporte, o brim, a purga da troca de cor, a primeira camada que não colou, a peça que empenou no fim, e a ponta do carretel que não dá para usar. Na prática você entrega de 90% a 95% do que comprou.
O segundo erro é misturar preços. Você comprou três carretéis de PLA por R$ 89 numa promoção e o próximo por R$ 125. Se sua conta ainda usa R$ 89, cada peça está com o custo subestimado. A calculadora de filamento ajuda no gasto por peça, mas o preço médio ponderado do que você tem em estoque é a parte que precisa ficar registrada em algum lugar.
Uma impressora FDM de mesa consome entre 100 e 150 W em regime, com picos bem maiores no aquecimento da mesa. Em uma peça de 3 horas, isso dá cerca de R$ 0,40. É fácil concluir que não importa — e é uma conclusão errada, porque o número que importa não é por peça, é por mês: 240 horas de máquina custam entre R$ 25 e R$ 40 de energia. Com mesa aquecida grande ou câmara fechada, mais.
Não quebra o negócio. Mas é um custo que existe, e custo que não é medido nunca entra no preço.
A impressora se desgasta imprimindo, e esse desgaste é um custo por hora tão real quanto o filamento. Ele se manifesta em duas formas.
A depreciação é o valor da máquina diluído na vida útil dela. Uma impressora de R$ 2.500 com 3 anos de vida custa cerca de R$ 70 por mês, rodando ou não.
A manutenção é o que vai quebrar: bico entope e se desgasta (principalmente com filamento abrasivo), correia folga, rolamento faz barulho, tubo de PTFE queima, mesa perde aderência, ventoinha morre. Reserve algo entre R$ 30 e R$ 60 por mês por máquina — não porque você vai gastar isso todo mês, mas porque no mês em que gastar, vai gastar tudo de uma vez.
A calculadora de custo por hora junta depreciação e manutenção num número por hora, que é o formato útil para colocar no preço.
Toda peça que você imprimiu e não vendeu foi paga por você: filamento, energia, hora de máquina e o seu tempo. Peça que empenou, que saiu com camada deslocada, que o cliente recusou, que você imprimiu para testar cor.
Em operação saudável, o refugo fica entre 5% e 10% do que se produz. Acima disso, o problema não é de custo, é técnico — e vale atacar a causa com o diagnóstico de impressão antes de tentar consertar no preço.
O ponto é que refugo precisa ser um número que você conhece. Quem não mede acha que está em 2% e está em 15%.
Este é o grande. Some tudo o que você faz e que não é a máquina imprimindo:
- Achar ou modelar o arquivo
- Fatiar e configurar
- Acompanhar a impressão
- Tirar da mesa, remover suporte, lixar, pintar
- Embalar
- Fotografar e anunciar
- Responder cliente
- Ir ao correio
Numa peça de venda direta, isso costuma dar 20 a 40 minutos por pedido. Se você valoriza sua hora em R$ 25, são R$ 8 a R$ 17 por pedido que precisam estar no preço. Numa peça vendida a R$ 45, é mais de um terço do valor.
Quem não coloca o próprio tempo na conta acaba montando um emprego que paga menos que o salário mínimo por hora, com a vantagem de não ter férias.
Se vende em marketplace, a plataforma fica com 12% a 20%. Se anuncia, o custo de anúncio precisa ser dividido pelas vendas que ele gerou. Se é MEI, o DAS mensal é fixo e precisa ser diluído nas peças do mês.
Esses custos vêm depois da venda, e é por isso que somem: quando o dinheiro entra na conta ele já entra descontado, e a sensação é de que a peça vendeu por menos, não de que houve um custo.
O erro não é desconhecer esses itens — quem imprime há algum tempo conhece todos. O erro é não ter onde registrar, e por isso recalcular tudo de cabeça a cada orçamento, com números do mês passado.
Uma planilha resolve, e é um começo perfeitamente válido. O problema da planilha aparece depois: ela não sabe quanto filamento sobrou no carretel, não liga o custo à venda que aconteceu, e ninguém atualiza o preço do PLA nela.
O Studio 3D foi feito exatamente para essa parte: cadastrar os filamentos com o preço real, montar o custo de cada peça com máquina e tempo, registrar as vendas e ver a margem de cada uma sem refazer a conta.
Comece medindo, nem que seja num caderno. O número que vai te assustar é o do seu tempo.
O Studio 3D calcula custo, margem e preço de cada peça — e mostra quanto sobra no fim do mês. Abra a demonstração sem cadastro.